workspace_premium Evolução Clínica · Osteoartrose
verified Por Dra. Amanayara · Fisioterapeuta registrada · CREFITO: 326255-F

Osteoartrose de Joelho: Viver Bem com Dor Controlada e Autonomia Recuperada

Este caso envolve uma paciente com osteoartrose de joelho grau II-III, dor mecânica progressiva por três anos e perda funcional crescente em tarefas simples: subir escadas, levantar da cadeira e caminhar por mais de quinze minutos. A conduta combinou terapia manual articular, osteopatia e fortalecimento funcional progressivo no domicílio, com evolução clínica acompanhada em dez sessões ao longo de cinco semanas.

Condição tratada

Osteoartrose de joelho grau II-III

Perfil do paciente

58 anos, professora aposentada

Duração do protocolo

8 sessões domiciliares em 5 semanas

Desfecho

Marcha livre e escadas sem apoio

Atendimento no consultório para osteoartrose de joelho com foco em mobilidade articular, controle da dor e fortalecimento funcional progressivo.

Resultado clínico em foco

Redução de dor de 7 para 2 pontos na EVA, ganho de 18° na flexão do joelho e subida de escadas sem apoio externo ao final das 8 sessões.

Fonte: evolução clínica registrada em prontuário fisioterapêutico | Atualizado em 23 de maio de 2026

Contexto Clínico Inicial

A paciente chegou com dor no joelho direito em progressão havia três anos. Aos 58 anos, professora aposentada, descrevia que no começo era apenas um incômodo no fim de caminhadas longas e, por isso, deixou passar. Com o tempo, o quadro mudou de patamar: levantar da cadeira após o jantar passou a exigir apoio nos braços, subir os dois lances de escada do prédio gerava dor intensa na região medial do joelho, e caminhar por mais de quinze minutos piorava a dor até o dia seguinte.

O raio-X mostrava osteoartrose grau II-III no compartimento medial, com pinçamento do espaço articular e osteófitos na região femoral distal. Ela vinha usando anti-inflamatórios e analgésicos de forma intermitente havia mais de um ano, sempre com alívio parcial e curto. Também relatava medo de se movimentar por receio de agudização da dor: evitava sair sozinha, reduziu visitas à família e interrompeu as caminhadas diurnas que fazia no bairro, em Fortaleza.

Além do joelho, havia tensão frequente em musculatura lombar e quadril ipsilateral, compatível com compensações biomecânicas instaladas para proteger o membro acometido. Dormia mal por dificuldade de achar posição confortável para a perna direita e acordava com rigidez matinal de cerca de vinte e cinco minutos, o que atrasava o início da rotina doméstica. O ponto mais sensível para ela era a perda de independência.

Avaliação Funcional e Hipótese Terapêutica

  • check_circleAchado 1 — Déficit de mobilidade articular em flexão e extensão terminal: A flexão ativa do joelho direito estava limitada a 102° (referência funcional: 120° para subida de escadas), com dor crescente na fase final do movimento. A extensão apresentava déficit de 8° para extensão completa, mantendo um padrão de marcha em leve flexão, com sobrecarga de isquiotibiais e posteriorização do centro de gravidade. Na mobilização passiva, observou-se rigidez cápsulo-ligamentar importante e menor mobilidade tibiofibular proximal.
  • check_circleAchado 2 — Fraqueza de quadríceps e glúteo médio com valgo dinâmico: O teste de força isométrica do quadríceps mostrou déficit de aproximadamente 30% em relação ao membro contralateral. O glúteo médio estava em força grau 3 (antigravitacional sem resistência adicional), favorecendo valgo dinâmico do joelho direito na fase de apoio unipodal da marcha. Esse padrão de colapso medial aumentava a carga no compartimento já degenerado e, mantido por anos, colaborou para a progressão da degeneração articular.
  • check_circleAchado 3 — Padrão antálgico consolidado com compensações em quadril e coluna: A avaliação postural mostrava assimetria de carga bilateral, com descarga preferencial no membro esquerdo. Havia hipertonia de piriforme e glúteo mínimo à direita como compensação do valgo dinâmico, além de hiperlordose lombar compensatória e tensão em paravertebrais lombares bilaterais. No teste de sentar e levantar (5 repetições), o tempo foi de 18 segundos, acima do limiar de 12 segundos associado a risco funcional significativo nessa faixa etária.

Protocolo Aplicado em Etapas

Fase 1 — Sessões 1 e 2 · Analgesia, Descompressão Articular e Ganho de Mobilidade Inicial

Nesta fase inicial, a meta foi simples e objetiva: permitir movimento com menos dor e mais segurança desde as primeiras sessões. Foram usadas mobilizações tibiofemorais em graus I e II para dessensibilização e melhora da mobilidade cápsulo-ligamentar, além de tração axilar leve para reduzir a pressão compressiva intra-articular. A osteopatia entrou na normalização do ritmo articular tibiofibular proximal, um segmento que costuma ser pouco valorizado, mas impacta a mecânica do joelho. O manejo foi complementado com liberação miofascial de isquiotibiais, panturrilha e trato iliotibial, além de orientações de posicionamento para o sono e estratégias para reduzir carga no joelho na rotina doméstica. Critério de progressão: tolerância ao apoio unipodal por pelo menos 10 segundos sem dor aguda e redução mínima de 1,5 pontos na EVA em repouso.

Fase 2 — Sessões 3 a 5 · Fortalecimento Progressivo e Correção do Valgo Dinâmico

Com dor em nível tolerável e mobilidade parcialmente recuperada, avançamos para o ponto-chave da osteoartrose: fortalecimento periarticular. O quadríceps em cadeia cinética fechada começou com mini agachamentos de base ampla e carga controlada pelo peso corporal, com progressão para agachamento unilateral com suporte parcial na quinta sessão. Para glúteo médio, foram usados exercícios de abdução em decúbito lateral e em posição funcional, com foco no controle do valgo na fase de apoio da marcha. A ponte glútea com progressão unilateral entrou para integrar a cadeia posterior. Tudo foi adaptado para o domicílio, sem equipamentos complexos, usando cadeiras, paredes e faixas elásticas de baixa resistência. Entre as sessões, a paciente mantinha séries diárias e retornava semanalmente para progressão e ajuste técnico. Critério de progressão: realizar agachamento unipodal com suporte parcial sem queda de pelve ou valgo acentuado e teste de sentar-levantar em menos de 14 segundos.

Fase 3 — Sessões 6 a 8 · Treino Funcional, Marcha e Plano de Manutenção Domiciliar

Na fase final, o objetivo foi transferir força e mobilidade para tarefas reais do dia a dia. O treino de subida e descida de escada foi progressivo: primeiro com corrimão bilateral, depois apoio unilateral e, nas últimas repetições, sem apoio. O treino de marcha, realizado no corredor do apartamento, focou padrão de passada, apoio do calcanhar e extensão de quadril. Caminhadas curtas voltaram de forma programada, com aumento gradual de distância e tempo ao longo das sessões. A última sessão consolidou o plano domiciliar de manutenção: três séries diárias de exercícios, aquecimento matinal de cinco minutos antes de iniciar as atividades e orientação sobre sinais de reagudização que exigem atenção. Também reforçamos a caminhada regular como estratégia de longo prazo para saúde articular e controle de peso.

Evolução Clínica e Indicadores

Dor em atividade (EVA 0-10)

7/10 2/10

Flexão do joelho direito

102° 120° (+18°)

A resposta clínica apareceu cedo. Na segunda sessão, a paciente já conseguia levantar da cadeira com menos esforço e, em algumas tentativas, sem apoio dos braços. Na quarta sessão, relatou a primeira noite em semanas sem acordar com dor ao mudar de posição. A rigidez matinal, que no início durava cerca de vinte e cinco minutos, caiu para menos de oito minutos ao final da quinta semana.

No teste de sentar e levantar, o tempo caiu de 18 segundos na avaliação inicial para 11 segundos na última sessão, abaixo do limiar de risco funcional. Na sétima sessão, ela subiu os dois lances de escada do edifício sem apoio no corrimão pela primeira vez. No fim de semana anterior à alta, fez caminhada de vinte minutos no bairro sem reagudização da dor. O uso de analgésicos, antes diário, tornou-se eventual e circunstancial.

Dúvidas frequentes sobre este tipo de quadro

Perguntas Frequentes

Não necessariamente. A osteoartrose progride estruturalmente, mas dor e função não pioram no mesmo ritmo em todos os casos. Com fortalecimento muscular adequado, controle de sobrecarga articular e manejo ativo, muitos pacientes mantêm boa funcionalidade e qualidade de vida por anos, sem necessidade de intervenção cirúrgica. Em prática clínica, músculo forte costuma ser o melhor aliado da articulação comprometida.

Em muitos casos, sim. Quando a fisioterapia reduz a carga articular, melhora a estabilidade muscular periarticular e modula o sistema de dor, a demanda por analgésicos tende a diminuir. Isso acontece de forma gradual e sempre alinhado ao acompanhamento médico responsável pela prescrição, nunca por decisão isolada do paciente.

Os exercícios com melhor resposta costumam ser o fortalecimento de quadríceps e glúteo médio, exercícios em cadeia cinética fechada com carga controlada e treino funcional de tarefas como sentar e levantar. O fator decisivo é a progressão individualizada: volume e intensidade inadequados podem provocar reagudização. Por isso, nas fases iniciais, a supervisão profissional faz diferença para ajustar o protocolo ao momento clínico de cada paciente.

Próximo passo

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